Muitas vezes, a busca por análise é confundida com uma busca pela felicidade, pelo conforto ou pela adequação às normas do que seria uma "vida feliz".

No entanto, no Seminário 7: A Ética da Psicanálise, Jacques Lacan nos confronta com uma questão muito mais radical e desconfortável:

"Você agiu conforme o desejo que te habita?"

Lacan nos ensina que a ética comum — aquela que herdamos da moralidade e da sociedade — muitas vezes nos afasta de nós mesmos. Passamos a vida tentando ser "bons" para o Outro: bons filhos, bons profissionais, parceiros ideais. Nessa tentativa de satisfazer as expectativas externas, acabamos por trair a única coisa que nos sustenta subjetivamente: o nosso desejo.

O desejo, para a psicanálise, não é um capricho. Ele é o que há de mais singular e, muitas vezes, de mais estranho em nós. Ele não visa o conforto; ele visa a verdade do sujeito.

Não Ceder de seu Desejo

A verdadeira culpa, sob a ótica lacaniana, surge quando "cedemos de nosso desejo".

Quando silenciamos nossa verdade em troca de uma falsa paz. A clínica psicanalítica não é um lugar para encontrar consolo, mas para encontrar a coragem de sustentar a própria falta e não recuar diante do que nos move.

A análise é o percurso que permite distinguir o que é demanda do Outro daquilo que é a urgência do seu desejo. É um convite para habitar a própria vida de uma maneira menos alienada e mais ética.

Se você sente que tem vivido para atender roteiros que não são seus, a psicanálise oferece o suporte para essa travessia.