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O Tempo não existe e ainda assim é lógico

Você sabia que o relógio na parede do consultório pode ser o maior inimigo da verdade? No senso comum, acreditamos que cinquenta minutos de conversa garantem uma elaboração, e passamos a vida medindo a cura pelo cronômetro.

Mas a psicanálise, especialmente com Lacan, subverte essa lógica burguesa do tempo.

Lacan introduziu o conceito de tempo lógico, que não tem nada a ver com os minutos que passam, por isso uma sessão pode durar dez minutos ou uma hora. O que importa é o instante do olhar, o tempo de compreender e o momento de concluir.

O famoso "corte lacaniano" — encerrar a sessão em uma palavra-chave ou num tropeço do dizer — não é uma grosseria, é uma pontuação. É o que impede o sujeito de se perder no blá-blá-blá infinito das justificativas e o obriga a se deparar com o próprio desejo.

Curiosamente, a física de ponta parece dar razão a essa "estranheza" psicanalítica. Físicos contemporâneos, como o italiano **Carlo Rovelli**, sugerem que o tempo, tal como o percebemos — um fluxo linear do passado para o futuro —, simplesmente não existe nas leis fundamentais do universo. O que chamamos de tempo é uma interação, uma perspectiva.

Se o tempo é uma ilusão da física, na clínica ele é uma ferramenta. O analista corta a sessão para que o paciente pare de "gastar tempo" e comece, finalmente, a habitá-lo. Afinal, a vida acontece nos hiatos, nos silêncios e nos cortes, nunca no tique-taque monótono de um relógio que finge que tudo está sob controle.

E você? Já sentiu que uma frase dita em um segundo valeu mais do que meses de conversa? O tempo é o que a gente faz com o que nos atravessa.

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