post imagem

Você já parou para pensar que o que salva uma criança não é o "sacrifício" materno, mas sim o que sobra da mulher para além do filho?

Na psicanálise, entendemos que a mãe é o primeiro Outro do sujeito.

E é justamente nesse encontro inicial que a mágica — e o drama — da constituição psíquica acontece. Para que um bebê se torne um "alguém", ele precisa ser capturado pelo desejo de quem cuida.

Mas cuidado aqui: não estamos falando de um desejo de perfeição ou de uma dedicação integral que anula a mulher. Pelo contrário. Se a mãe é "total", se ela se fecha no espelho do filho, ela o sufoca. O que constitui o sujeito é o desejo da mãe enquanto mulher, ou seja, um desejo que aponta para fora, para o mundo, para o trabalho, para o parceiro(a), para a vida própria.

É esse "furo" na dedicação — o fato de a mãe desejar outras coisas — que permite à criança entender que ela não é tudo para o Outro. É nesse espaço de falta que o pequeno humano encontra o fôlego para começar a desejar por si mesmo.

Por isso , a maior herança que uma mãe pode deixar não é a sua presença absoluta, mas a sua capacidade de ser um sujeito desejante e faltante. Educar é, em última instância, sustentar a própria falta para que o outro tenha onde existir.

A maternidade não é um destino, é uma construção atravessada pela ética do desejo. Menos culpa, mais implicação, intencionalidade.

#Psicanálise #VeraIaconelli #MaternidadeReal #DesejoMaterno