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O pagamento em análise nunca foi uma questão de honorários, e sim uma questão de ética. O dinheiro é, talvez, o último reduto de realidade em um mundo que tenta transformar tudo em conforto e protocolo.

Lemos por aí que o tratamento deveria ter um preço de mercado, estável e previsível, mas o inconsciente não frequenta a bolsa de valores. Se o valor for apenas uma cifra burocrática, ele se torna imperceptível. E o que é imperceptível não produz perda. O sujeito continua chegando à sessão e despejando suas queixas, pagando com a moeda do próprio sofrimento — aquele gozo infantil do qual ele não consegue abrir mão —, simplesmente porque o dinheiro no bolso não lhe dói.

Uma tabela fixa protege o narcisismo do paciente, e por isso ela é clinicamente inútil. O valor precisa ser "lógico", ou seja, precisa ter a ver com a economia do desejo daquele que fala. Para um herdeiro entediado, uma nota alta pode ser um adereço; para quem conta os centavos, o pouco é um ato de coragem. O analista não está ali para ser caridoso, mas para garantir que o sujeito faça um sacrifício real. Sem perda, não há espaço para o novo.

O pagamento funciona como um corte na tagarelice cotidiana, e é justamente esse furo no bolso que permite ao sujeito se perguntar: "Quanto vale, afinal, a minha vida?".

Por isso, não negociamos preços, negociamos a renúncia a uma satisfação inconsciente e muitas vezes doentia. O valor significante é aquele que faz o sujeito sentir que a sua palavra, finalmente, começou a custar caro demais para ser desperdiçada com o mesmo de sempre.

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