post imagem

​Lacan nos conduz por uma leitura rigorosa do caso Schreber e estabelece que a psicose não é um "déficit" cognitivo ou uma explosão de irracionalidade, mas sim uma questão de estrutura ligada à relação do sujeito com o Significante. Ele nos mostra que a realidade humana é sustentada pela linguagem, onde o "Nome-do-Pai" funciona como a peça-chave que organiza o mundo e dá sentido ao desejo.

​Mas, o que acontece quando esse pilar central falha? No Seminário 3, Lacan introduz o conceito de foraclusão. Diferente da neurose, onde o sujeito recalca um desejo (ele sabe, mas finge que não sabe), na psicose o significante fundamental é rejeitado do simbólico. Como o sujeito não tem esse "ponto de basta" para ancorar os sentidos, ele fica à mercê de uma linguagem que "fala sozinha" ou de um Outro invasivo e gozador que o persegue através de alucinações.

​Por isso, o trabalho do analista não deve ser o de "trazer o sujeito de volta à realidade" ou desafiar seus delírios com a lógica, pois o delírio é, na verdade, uma tentativa desesperada de cura — uma construção para evitar o caos absoluto do Real. A clínica lacaniana aqui nos convoca a ser a "secretária do alienado", testemunhando essa reconstrução subjetiva e buscando formas de estabilizar essa relação fraturada com o mundo, sem a pretensão de impor uma "normalidade" que a estrutura não comporta.

​#psicanalistaemsaopaulo

#psicanaliseonline #psicanáliselacaniana