“Linguística, Topologia, e Lógica: Itinerários da Clínica do Sujeito”

Valores

Qual o Valor de uma sessão de psicanálise? Deve-se pagar por hora? Por mês? Em dinheiro? Deve-se levar em conta os títulos, a formação, a experiência, o bairro do consultório do analista? Qual a lógica quando o Analista trabalha com o Valor Real?

Esse tema é muito caro para nós psicanalistas, sim “caro”, mas, evidentemente que esta palavra deve ser pensada no sentido de importante, essencial, digno de análise. A psicanálise, desde sua invenção por Freud, é alvo de muitas críticas por ter como base estudos realizados com sujeitos de uma determinada classe econômico-social. Com os avanços dos estudos psicanalíticos dado pela Escola Lacaniana, pode-se repensar essa questão já apontada em Freud de analisar o valor pago pelo analisante ao analista enquanto uma parte fundamental para o diagnóstico, direção do tratamento e fim de análise. Assim, o pagamento foi pensado enquanto parte da técnica psicanalítica.

Freud indicava que a cobrança fosse por sessão/hora e que o pagamento fosse no máximo mensal para que o paciente não acumulasse uma dívida impagável com o profissional, por ser o valor/hora uma unidade comum em que o trabalho era pago na época e que alguns países ainda adotam. No entanto, há outras razões, técnicas&éticas, que, hoje, justificam que mesmo que o processo de análise dure anos, cada sessão de análise é única, tem uma estrutura básica, um começo, desenvolvimento e fim. Esse fim, é o corte analítico, uma interrupção, uma pergunta que finalizará a sessão, mas que irá conectar as sessões, assim o valor das sessões deve ser colocado de forma a valorizar cada sessão.

Para que a estrutura das sessões se sustente é necessário o pagamento. O psicanalista vive do seu ofício, há despesas para o exercício clínico, supervisão dos casos com um outro profissional, análise do analista, formação, etc. Assim, desejamos que a análise aconteça, esse é nosso desejo e para isso acontecer o aspirante a analisante tem que demonstrar o seu engajamento, que para ele seja importante de fato, isso seja essencial, isso seja caro, isso seja um momento precioso. O pagamento opera aí, no desejo de ser analisado. Nesse sentido, a forma de pagamento e valor das sessões pode ser sessão a sessão, semanal ou mensal conforme combinado e analisado nas entrevistas preliminares, mas será definida pelo número de sessões. Assim, privilegia-se o Valor Real, o valor que o sujeito está disposto a abrir mão para que a análise aconteça. Esse valor será analisado junto ao analisante, de forma que o analista sinta-se satisfeito para conduzir a análise e o analisante se implique no tratamento.

Naquilo que se refere a análise “não há relação sexual”, ou seja, não há uma formação, títulos, consultório que garanta uma análise perfeita, cada sujeito é único, cada análise atualiza a psicanálise, nesse processo não há garantias de resolução de todos os problemas, ou de uma felicidade ao término da análise. O que que se tem é um investimento do analista, do desejo de analisar, e esperasse que o analiante também contribua ativamente no processor com o desejo de saber, de inventar saberes se necessarios durante o processo para ajudá-lo a melhor lidar com a questão que o fez procurar o analista. Nesse sentido, o Valor Real está colocado na medida que para o analisante demonstra um engajamento com a questão, Desejo de Saber e para o analista enquanto Desejo de Analisar. Estes ingredientes fundamentais para que a análise ocorra.

Desse modo a análise não é uma mercadoria, nem uma simples prestação de um serviço que se presta a quem queira pagar. Análise é um processo de resistência, um ato criação e manutenção de um espaço de invenção entre um Sujeito desejante pelo Saber e um Analista com desejo de Analisar.

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