“Linguística, Topologia, e Lógica: Itinerários da Clínica do Sujeito”

Mamãe vai proteger você?

ARKANGEL

Episódio da 4ª temporada da séria Black Mirror, dirigido pela Jude Foster, discute uma importante questão entre mãe e filhos, a saber, qual o limite da educação entre mães e filhos? Ou ate quando mamãe vai proteger você?

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Por que Psicanálise?

Psicanálise se diferencia daquilo que convencionou-se dizer terapia ou psicoterapia. Distingue-se desse modo de fazer clínica onde coloca-se o sujeito enquanto paciente, ou seja, passivo do processo. Psicanálise é uma práxis, isto é, um conjunto de práticas entrelaçadas a um corpo teórico bem estruturado e em contínua construção técnica e ética. Isto possibilita a construção de um espaço de construção de invenção do sujeito para além das teorias. É uma clínica que solicita e reivindica ao sujeito seu papel ativo no processo analítico e de vida. Neste processo, o psicanalista coloca-se como uma testemunha autorizada e qualificada para o andamento da análise.

A compreensão é um dos níveis de leitura: experimentações e sensações - itinerários de literatura e clínica

Golem é uma palavra que aparece uma só vez na Bíblia, no salmo 139:16, e que quer dizer: sem forma, o informe. Golem (Scholen, 1994, p.57-59) é um ser feito de argila e, conta a cabala, que os judeus poloneses o fabricaram depois de certas orações e dias de jejum, na forma de um homem de barro. Sobre este homúnculo, pronunciaram o sheruramphuras miraculoso - o nome de Deus - e este ser adquiriu vida. Embora não pudesse falar, ele compreendia suficientemente o que lhe ordenavam e executava trabalhos domésticos. O Golem não deveria jamais sair da casa e, em sua fronte, estava escrito: Emeth - (E.M.E.T.H) que em hebraico quer dizer: Verdade. Ele crescia rapidamente a ponto de se tornar maior do que todos os que viviam na casa, mesmo tendo sido fabricado bem pequeno. Então, eles apagavam a primeira letra do nome inscrito em sua testa, e ele se tornava Meth (M.E.T.H), que quer dizer: morto. De EMETH (verdade) para METH (morto). Então, ele caía e se transformava novamente em argila. Diz a lenda que, certa vez, um homem deixou crescer em demasia o seu golem. Ele ficou tão grande que já não era mais possível alcançar a sua fronte. Então, o homem ordenou que o golem lhe tirasse as botas. Quando o golem curvou-se, ele pode enfim atingir-lhe a testa, mas tão logo retirou a primeira letra de emeth, todo aquele peso de argila caiu sobre ele e o soterrou.

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Sobre

Danilo Alves da Cruz é psicanalista de orientação Freud-Lacaniana*, participante das Formações Clínicas do Fórum do Campo Lacaniano de São Paulo; Cartelizante do “História do Sujeito e Estruturas Clínicas a partir da Pervesão. Orientando-se pelas Obras de Freud e Lacan, estuda a aplicação da Linguística; Lógica Paraconsistente e Matemática Topológica na resolução de questões psicanalíticas. É psicólogo de formação generalista pela Universidade Federal de São Paulo com ênfase em Pesquisa e Saúde. Atende diferentes formas do sofrimento psíquico em crianças, adolescentes, adultos e idosos.

*Jacques Lacan, foi psicanalista francês. Formado em Letras, passou da neurologia à psiquiatria. Teve contato com a psicanálise através do surrealismo e a partir de 1951, afirmando que os pós-freudianos haviam se desviado, propõe um retorno a Freud. Para isso, utiliza-se da linguística de Saussure (e posteriormente de Jakobson) e da antropologia estrutural de Lévi-Strauss, tornando-se importante figura do Estruturalismo. Posteriormente encaminha-se para a Lógica e para a Topologia. 

O Grito

O Grito (no original Skrik) é uma óbra do pintor norueguês Edvard Munch datada de 1983. A obra representa uma figura andrógena num momento de profunda angústia e desespero existencial. O plano de fundo é a doca de Oslofjord, em Oslo ao por do Sol. Certamente sobre o momento que inspirou essa obra o autor escreveu em seu diário:

“Passeava com dois amigos ao pôr-do-sol – o céu ficou de súbito vermelho-sangue – eu parei, exausto, e inclinei-me sobre a mureta– havia sangue e línguas de fogo sobre o azul escuro do fjord e sobre a cidade – os meus amigos continuaram, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade – e senti o grito infinito da Natureza”

Essa obra sintetiza o relato de algumas pessoas diante desse afeto que é apavorante para o ser humano e que está na origem de grande parte dos sintomas para a psicanálise. O processo de análise em muito casos segue essa trilha para possibilitar através da livre associação de palavras reinventar cadeias palavras que possibilitem abordar a angústia. Assim em uma análise será imprescindivel que o sujeito analisante experimente em doses controladas a angústia que o fez procurar a análise.

Esse sentimento no seu puro estado é, com efeito, um retorno a experiência de nascimento, quando fomos forçados a sair de um lugar de plena satisfação, protegido, quente, para um ambiente novo onde não sabemos absolutamente nada, não temos nada além de um grito ( choro) para interagir e começar a apreender o mundo nos cerca. Assim um bebê imediatamente nascer se sente completamente desesperado, e por razoes que lhe são obvias ainda, não consegue articular palavras que o possibilite lidar com esse afeto que é uma experiência de vazio, num buraco, só lhe resta gritar. Espera-se que alguém interpretará esse grito e o resignificará em choro, dando-lhe o calor do seu corpo, alimento, segurança, mas não tão bem quanto o útero. Espera-se, então, que aprendemos a lidar com essa diferença, um resto que falta, e saber lidar com esse resto que é crescer emocionalmente.

O choro, diferentemente do grito, já denota uma sequência primordial na direção das palavras de um Outro (preciptado na mãe) que empresta os seus diferentes significados para podemos completar uma sequencia razoavelmente bem ordenada de palavras. Quando adulto preferiremos falar a chorar, e isso é o mais importante passo na direção do ser sujeito e que passa pela angústia. Esta capacidade irá tornará o sujeito capaz de se constituir enquanto um ser dotado de um corpo estruturado, simbólico, capaz de se reinventar diante as dificuldades que o mundo nos colocará.

Às vezes acreditamos ter voltado para o útero materno, um resultado qje pode ter sido de muito esforço e empenho de nós ou de nossos pais, mas a vida, cedo ou tarde, irá nos colocar frente a situações onde o dinheiro, os bens, a profissão, ( nem mesmo o analista está livre isso, ao contrário, vivênciamos isso todos dia por ofício) o cargo, nem mesmo o parceirx que escolhemos viver pode nos ajudar com algumas questões que são nossas, só nossas, e algumas delas são cruciais que resolvemos e que possamos continuar nosso crescimento emocional.

Assim, se desde o nascimento, a angústia nos coloca a aprender a lidar com o mundo, por que nós deixamos de contar com ela no nosso dia-a-dia para continuarmos a crescer? Esse é o convite para a análise, uma viagem que passa no “vagão” da Angústia, mas o itnerário fica por conta do passageiro (analisante). Felicidade? Amor? Tesão? Tranquilidade? Satisfação?

A ritalina e os riscos de um 'genocídio do futuro'

Para uns, ela é uma droga perversa. Para outros, a 'tábua de salvação'. Trata-se da ritalina, o metilfenidato, da família das anfetaminas, prescrita para adultos e crianças portadores de transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Teria o objetivo de melhorar a concentração, diminuir o cansaço e acumular mais informação em menos tempo. Esse fármaco desapareceu das prateleiras brasileiras há poucos meses (e já começou a voltar), trazendo instabilidade principalmente aos pais, pela incerteza do consumo pelos filhos. Ocorre que essa droga pode trazer dependência química, pois tem o mesmo mecanismo de ação da cocaína, sendo classificada pela Drug Enforcement Administration como um narcótico. No caso de consumo pela criança, que tem seu organismo ainda em fase de formação, a ritalina vem sendo indicada de maneira indiscriminada, sem o devido rigor no diagnóstico. Tanto que, no momento, o país se desponta na segunda posição mundial de consumo da droga, figurando apenas atrás dos Estados Unidos. Como acontece com boa parte dos medicamentos da família das anfetaminas, a ritalina 'chafurda' a ilegalidade, com jovens procurando a euforia química e o emagrecimento sem dispor de receita médica. Fala-se muito que, se não fizer o tratamento com a ritalina, o paciente se tornará um delinquente. "Mas nenhum dado permite dizer isso. Então não tem comprovação de que funciona. Ao contrário: não funciona", critica a pediatra Maria Aparecida Affonso Moysés, professora titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. “A gente corre o risco de fazer um genocídio do futuro. Mais vale a orientação familiar”, encoraja a pediatra, que concedeu entrevista, a seguir, ao Portal Unicamp.

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O que eu faço com meu filho? Ele é muito mal-educado!

Estava eu ainda cursando o curso de psicologia, quando fui interpelado por minhas primas com essa pergunta que hoje faço dela o título desse meu comentário a cerca do ato de educar filhos. A cerca de três semanas escrevi um texto que pareceu ser um pouco difícil para a compreensão dos que ainda não estão familiarizados com alguns termos e asserções. Assim, hoje, tento abordar, num texto mais síntético e objetivo, essa questão que há muito me convoca.

Na ocasião dessa pergunta feita pelas minhas primas que estavam tomadas com as dificuldades objetivas de lidar com seus filhos, me veio uma resposta que talvez me ajudasse a sair pela tangente. Na ocasião respondi repetindo vagarosamente o trecho e questinei: FILHOS MAL-CRIADOS? MAS QUEM CRIAM SEUS FILHOS?” Elas caíram em rizadas um pouco envergonhadas, um pouco preocupadas, pois pareceu que minha pergunta as colocava a pensar sua responsabilidade no ato de educar seu filhos. No entanto, isso não respondia a minha pergunta, desejava saber mais sobre isso, desejava saber mais.

Depois de muitos anos de estudo teórico, análise pessoal, supervisão, grupos de pais e atendimento individual clínico sei que sou incapaz de responder essa pergunta como incipientemente gostaria de responder.

Assim, pretendo subverter esse lugar da resposta com um afirmação e sim com um conjunto de perguntas que produzam uma mudança de perspectiva que não só responsabilize o educador como também empodere o cuidador.

Em mais uma reunião familiar recente me perguntaram como fazer para educar seus filhos. Uma mãe dizia sempre de um dever “Filho você deve…”, “Filho você tem que…”, e a criança simplesmente respondia: “não!”, “eu não vou”, “eu não quero”. Já responsabilizadas pela educação e procurando respostas, perguntei a mãe da criança por que ela não falava o que ela desejava para a criança? Ela não soube dizer por que não.

Disse ainda de outras formas que a criança não obedecia e parecia querer teimar de propósito. Uma das questões era dele ainda estar usando fraldas à noite, sendo que ela sempre conversa com ele sobre isso. Perguntei como era em maiores detalhes a conversa. E assim ela disse: “Eu falo para ele que não é para fazer xixi na cuequinha, que ele não pode fazer na cuequinha, que ele tinha que fazer no vaso” e ele continuava a fazer na roupa. Ela o questionava: Onde mamãe te ensinou a fazer xixi? E ele responde: “na cuequinha, na cuequinha, mãe!”. Eu perguntei a ela se ela achava que ele entendia o significado de “não”? Ela também não soube responder.

Primeiramente, vale comentar que o infante (a criança) sente é, muitas vezes, uma necessidade de testar limites, e isso é importante para a constituição do seu ser, assim afirmar que ele tem que fazer alguma coisa, simplesmente pode convidá-lo a testar essa fragil regra. Assim, minha pergunta foi no sentido de fazê-la pensar em como dizer algo a alguém que parece só querer testar nos limites e contradições éticas?

Desse modo, se não tenho um resposta pronta para essa mãe, posso apontar uma direção, um sentido, que para mim é o da necessidade de se colocar limites, de ser coerente. Desse modo, quando uma mãe diz o que quer/deseja que o filho faça ela está se colocando como alguém que sabe o limite do que é dela e o que é do outro. Inaugura-se aí uma relação com a linguagem, uma ponte, e isso demandando do filho um posionamento, um lugar no discurso, e ai os pais podem operar a educação.

Educar

Educar, ensinar, transmitir valores, conhecimento, regras, limites são desafios para educadores, governantes, profissionais da saúde. Nós psicanalistas não nos excluímos desse tarefa impossívelFreud , oo contrário disso, nos debruçamos para tentar analisar essa importante questão humana.

Pode-se analisar os seres humanos enquanto sujeitos, seres desejantes, seres sociais, tenta-se diferenciar os o homem dos demais seres. Os seres humanos desejam o laço social e, basicamente, desejam de duas formas, a saber, o que lhes faltam e o que lhes potencializam, entretanto, em sua maioria e nesses últimos dois séculos são inclinados a desejar apenas o que nos faltam, diretamente associado a isso, num tempo primevo os seres desenvolveram a linguagem e se desenvolveram enquanto seres sociais.

A linguagem é uma conjunto de regras para além da língua e que, de fato, organiza o laço social. Essa linguagem é alicerçada, desde os primórdios, daquilo que pode ser chamado do nascimento da humanidade, que possui como báscula a instauração universal do incesto.

A impossibilidade de se ter tudo e por conseguinte ser tudo, não é disso que se trata o laço social?, não é disso que deveríamos tratar quando pensamos em educar? Se é assim como operar a linguagem para estabelecer um laço social que favoreça o ato de educar?

Para a psicanálise a linguagem é regida por formas básicas, radicais, de discurso que de alguma maneira qualificam os laços sociais. Utilizando-se de um ou outro discurso um sujeito localiza-se num lugar, numa posição discursiva e isso é um convite a um outro sujeito ocupar um lugar, um lugar social, menos ou mais prilegiado, mais produtivo, mais controlador etc. Levando-se isso para pensar o ato de educador já teremos alguma possibilidade a mais, uma borda, com o impossível?

Se educar é da ordem do impossível, como a humanidade já se organizou para mandar uma sonda até o planeta Marte? Será que se pode a-borda-r essa dimensão? Pensar o impossível para além daquilo que ainda não pode ser realizado? Pensar a borda do Impossível?

Qual o elemento para além do bem e do mal que possibilitou a humanidade explorar o espaço, criar ogivas nucleares, super carros e ainda não ter acabado com a fome mundial? O que faz um país gastar trilhões em projetos espaciais e bélicos e ter vários moradores de ruas em suas cidades ou ainda não oferecer para a população um sistema de saúde público universal?

Sem entrarmos em julgamentos, para além do bem e do mal; e voltando para o foco sobre a análise do ato de educar, pode-se perguntar por que 2 irmãos que estudam na mesma escola podem ter rendimentos e comportamentos tão diferentes? Ou que faz uma criança com dificuldades sociais a superar outros em melhores condições? Como se educa? Como criar uma ponte que permita transpor o limite do impossível? Como se ultrapassa o limite entre a mente do professor e do aluno e transmitir conhecimento? O que se transmite de fato?

Essa é uma discussão que fazemos sempre, pois nós, psicanalistas, necessitamos disso tanto qua to um professor para o ofício de analisar e para transmitir a arte de analisar aos nossos praticantes de psicanálise. Essa é uma temática que desde sempre, Freud, o criador dessa técnica-ética se colocou a refletir nos ensinou a pensar e ao final dos estudos ainda aponta para a necessidade e seu desejo de estudar mais profundamente como isso acontece. Mas Afinal, o que Freud nos ensinou sobre a transmissão?

Acredita-se que Freud fora, da sua maneira, um socrático, pois se Socrates disse “só sei que nada sei”, o Pai da psicanálise sempre se colocava num lugar de um saber incompleto, desejante de saber e com uma excelente intuição criou o inconsciente, para poder ir mais além, pois, assim, pode se libertar desse lugar, sedutor, de saber científico e se colocou numa busca angustiante do da estrutura do sujeito, uma vez que seu conteúdo seria inalcançavel. Sua disposicão para ir além, se questionando no processo, sempre em busca do saber singular de cada paciente, assim reinventava a psicanálise a cada caso clínico. Esse é sem dúvida seu maior legado. A capacidade de se suportar nesse lugar de é intensa angústia, desejar saber. E esse é sem dúvida seu maior legado. Com isso, pode-se concluir que temos que lidar com a nossa dificuldade de se suportar essa posicão, essa convicção de que não sabemos, e que não consiguiremos transmitir, de não se fazer ententer por completo, as palavras dizem muitas coisas, mas não dizem tudo, numca co siguiremos dizer tudo. É preciso criar, bordas, novas estratégias para melhorar a comunicação. Deste modo, uma vez ao nível das palavras temos mais possibilidades de implicar o outro e oferecer o nosso desejo enquanto possibilidades e incompossibilidades

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