“Linguística, Topologia, e Lógica: Itinerários da Clínica do Sujeito”

O Grito

O Grito (no original Skrik) é uma óbra do pintor norueguês Edvard Munch datada de 1983. A obra representa uma figura andrógena num momento de profunda angústia e desespero existencial. O plano de fundo é a doca de Oslofjord, em Oslo ao por do Sol. Certamente sobre o momento que inspirou essa obra o autor escreveu em seu diário:

“Passeava com dois amigos ao pôr-do-sol – o céu ficou de súbito vermelho-sangue – eu parei, exausto, e inclinei-me sobre a mureta– havia sangue e línguas de fogo sobre o azul escuro do fjord e sobre a cidade – os meus amigos continuaram, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade – e senti o grito infinito da Natureza”

Essa obra sintetiza o relato de algumas pessoas diante desse afeto que é apavorante para o ser humano e que está na origem de grande parte dos sintomas para a psicanálise. O processo de análise em muito casos segue essa trilha para possibilitar através da livre associação de palavras reinventar cadeias palavras que possibilitem abordar a angústia. Assim em uma análise será imprescindivel que o sujeito analisante experimente em doses controladas a angústia que o fez procurar a análise.

Esse sentimento no seu puro estado é, com efeito, um retorno a experiência de nascimento, quando fomos forçados a sair de um lugar de plena satisfação, protegido, quente, para um ambiente novo onde não sabemos absolutamente nada, não temos nada além de um grito ( choro) para interagir e começar a apreender o mundo nos cerca. Assim um bebê imediatamente nascer se sente completamente desesperado, e por razoes que lhe são obvias ainda, não consegue articular palavras que o possibilite lidar com esse afeto que é uma experiência de vazio, num buraco, só lhe resta gritar. Espera-se que alguém interpretará esse grito e o resignificará em choro, dando-lhe o calor do seu corpo, alimento, segurança, mas não tão bem quanto o útero. Espera-se, então, que aprendemos a lidar com essa diferença, um resto que falta, e saber lidar com esse resto que é crescer emocionalmente. /span>

O choro, diferentemente do grito, já denota uma sequência primordial na direção das palavras de um Outro (preciptado na mãe) que empresta os seus diferentes significados para podemos completar uma sequencia razoavelmente bem ordenada de palavras. Quando adulto preferiremos falar a chorar, e isso é o mais importante passo na direção do ser sujeito e que passa pela angústia. Esta capacidade irá tornará o sujeito capaz de se constituir enquanto um ser dotado de um corpo estruturado, simbólico, capaz de se reinventar diante as dificuldades que o mundo nos colocará.

Às vezes acreditamos ter voltado para o útero materno, um resultado qje pode ter sido de muito esforço e empenho de nós ou de nossos pais, mas a vida, cedo ou tarde, irá nos colocar frente a situações onde o dinheiro, os bens, a profissão, ( nem mesmo o analista está livre isso, ao contrário, vivênciamos isso todos dia por ofício) o cargo, nem mesmo o parceirx que escolhemos viver pode nos ajudar com algumas questões que são nossas, só nossas, e algumas delas são cruciais que resolvemos e que possamos continuar nosso crescimento emocional.

Assim, se desde o nascimento, a angústia nos coloca a aprender a lidar com o mundo, por que nós deixamos de contar com ela no nosso dia-a-dia para continuarmos a crescer? Esse é o convite para a análise, uma viagem que passa no “vagão” da Angústia, mas o itnerário fica por conta do passageiro (analisante). Felicidade? Amor? Tesão? Tranquilidade? Satisfação?

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