“Linguística, Topologia, e Lógica: Itinerários da Clínica do Sujeito”

O que eu faço com meu filho? Ele é muito mal-educado!

Estava eu ainda cursando o curso de psicologia, quando fui interpelado por minhas primas com essa pergunta que hoje faço dela o título desse meu comentário a cerca do ato de educar filhos. A cerca de três semanas escrevi um texto que pareceu ser um pouco difícil para a compreensão dos que ainda não estão familiarizados com alguns termos e asserções. Assim, hoje, tento abordar, num texto mais síntético e objetivo, essa questão que há muito me convoca.

Na ocasião dessa pergunta feita pelas minhas primas que estavam tomadas com as dificuldades objetivas de lidar com seus filhos, me veio uma resposta que talvez me ajudasse a sair pela tangente. Na ocasião respondi repetindo vagarosamente o trecho e questinei: FILHOS MAL-CRIADOS? MAS QUEM CRIAM SEUS FILHOS?” Elas caíram em rizadas um pouco envergonhadas, um pouco preocupadas, pois pareceu que minha pergunta as colocava a pensar sua responsabilidade no ato de educar seu filhos. No entanto, isso não respondia a minha pergunta, desejava saber mais sobre isso, desejava saber mais.

Depois de muitos anos de estudo teórico, análise pessoal, supervisão, grupos de pais e atendimento individual clínico sei que sou incapaz de responder essa pergunta como incipientemente gostaria de responder.

Assim, pretendo subverter esse lugar da resposta com um afirmação e sim com um conjunto de perguntas que produzam uma mudança de perspectiva que não só responsabilize o educador como também empodere o cuidador.

Em mais uma reunião familiar recente me perguntaram como fazer para educar seus filhos. Uma mãe dizia sempre de um dever “Filho você deve…”, “Filho você tem que…”, e a criança simplesmente respondia: “não!”, “eu não vou”, “eu não quero”. Já responsabilizadas pela educação e procurando respostas, perguntei a mãe da criança por que ela não falava o que ela desejava para a criança? Ela não soube dizer por que não.

Disse ainda de outras formas que a criança não obedecia e parecia querer teimar de propósito. Uma das questões era dele ainda estar usando fraldas à noite, sendo que ela sempre conversa com ele sobre isso. Perguntei como era em maiores detalhes a conversa. E assim ela disse: “Eu falo para ele que não é para fazer xixi na cuequinha, que ele não pode fazer na cuequinha, que ele tinha que fazer no vaso” e ele continuava a fazer na roupa. Ela o questionava: Onde mamãe te ensinou a fazer xixi? E ele responde: “na cuequinha, na cuequinha, mãe!”. Eu perguntei a ela se ela achava que ele entendia o significado de “não”? Ela também não soube responder.

Primeiramente, vale comentar que o infante (a criança) sente é, muitas vezes, uma necessidade de testar limites, e isso é importante para a constituição do seu ser, assim afirmar que ele tem que fazer alguma coisa, simplesmente pode convidá-lo a testar essa fragil regra. Assim, minha pergunta foi no sentido de fazê-la pensar em como dizer algo a alguém que parece só querer testar nos limites e contradições éticas?

Desse modo, se não tenho um resposta pronta para essa mãe, posso apontar uma direção, um sentido, que para mim é o da necessidade de se colocar limites, de ser coerente. Desse modo, quando uma mãe diz o que quer/deseja que o filho faça ela está se colocando como alguém que sabe o limite do que é dela e o que é do outro. Inaugura-se aí uma relação com a linguagem, uma ponte, e isso demandando do filho um posionamento, um lugar no discurso, e ai os pais podem operar a educação.

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