“Linguística, Topologia, e Lógica: Itinerários da Clínica do Sujeito”

Educar

Educar, ensinar, transmitir valores, conhecimento, regras, limites são desafios para educadores, governantes, profissionais da saúde. Nós psicanalistas não nos excluímos desse tarefa impossívelFreud , oo contrário disso, nos debruçamos para tentar analisar essa importante questão humana.

Pode-se analisar os seres humanos enquanto sujeitos, seres desejantes, seres sociais, tenta-se diferenciar os o homem dos demais seres. Os seres humanos desejam o laço social e, basicamente, desejam de duas formas, a saber, o que lhes faltam e o que lhes potencializam, entretanto, em sua maioria e nesses últimos dois séculos são inclinados a desejar apenas o que nos faltam, diretamente associado a isso, num tempo primevo os seres desenvolveram a linguagem e se desenvolveram enquanto seres sociais.

A linguagem é uma conjunto de regras para além da língua e que, de fato, organiza o laço social. Essa linguagem é alicerçada, desde os primórdios, daquilo que pode ser chamado do nascimento da humanidade, que possui como báscula a instauração universal do incesto.

A impossibilidade de se ter tudo e por conseguinte ser tudo, não é disso que se trata o laço social?, não é disso que deveríamos tratar quando pensamos em educar? Se é assim como operar a linguagem para estabelecer um laço social que favoreça o ato de educar?

Para a psicanálise a linguagem é regida por formas básicas, radicais, de discurso que de alguma maneira qualificam os laços sociais. Utilizando-se de um ou outro discurso um sujeito localiza-se num lugar, numa posição discursiva e isso é um convite a um outro sujeito ocupar um lugar, um lugar social, menos ou mais prilegiado, mais produtivo, mais controlador etc. Levando-se isso para pensar o ato de educador já teremos alguma possibilidade a mais, uma borda, com o impossível?

Se educar é da ordem do impossível, como a humanidade já se organizou para mandar uma sonda até o planeta Marte? Será que se pode a-borda-r essa dimensão? Pensar o impossível para além daquilo que ainda não pode ser realizado? Pensar a borda do Impossível?

Qual o elemento para além do bem e do mal que possibilitou a humanidade explorar o espaço, criar ogivas nucleares, super carros e ainda não ter acabado com a fome mundial? O que faz um país gastar trilhões em projetos espaciais e bélicos e ter vários moradores de ruas em suas cidades ou ainda não oferecer para a população um sistema de saúde público universal?

Sem entrarmos em julgamentos, para além do bem e do mal; e voltando para o foco sobre a análise do ato de educar, pode-se perguntar por que 2 irmãos que estudam na mesma escola podem ter rendimentos e comportamentos tão diferentes? Ou que faz uma criança com dificuldades sociais a superar outros em melhores condições? Como se educa? Como criar uma ponte que permita transpor o limite do impossível? Como se ultrapassa o limite entre a mente do professor e do aluno e transmitir conhecimento? O que se transmite de fato?

Essa é uma discussão que fazemos sempre, pois nós, psicanalistas, necessitamos disso tanto qua to um professor para o ofício de analisar e para transmitir a arte de analisar aos nossos praticantes de psicanálise. Essa é uma temática que desde sempre, Freud, o criador dessa técnica-ética se colocou a refletir nos ensinou a pensar e ao final dos estudos ainda aponta para a necessidade e seu desejo de estudar mais profundamente como isso acontece. Mas Afinal, o que Freud nos ensinou sobre a transmissão?

Acredita-se que Freud fora, da sua maneira, um socrático, pois se Socrates disse “só sei que nada sei”, o Pai da psicanálise sempre se colocava num lugar de um saber incompleto, desejante de saber e com uma excelente intuição criou o inconsciente, para poder ir mais além, pois, assim, pode se libertar desse lugar, sedutor, de saber científico e se colocou numa busca angustiante do da estrutura do sujeito, uma vez que seu conteúdo seria inalcançavel. Sua disposicão para ir além, se questionando no processo, sempre em busca do saber singular de cada paciente, assim reinventava a psicanálise a cada caso clínico. Esse é sem dúvida seu maior legado. A capacidade de se suportar nesse lugar de é intensa angústia, desejar saber. E esse é sem dúvida seu maior legado. Com isso, pode-se concluir que temos que lidar com a nossa dificuldade de se suportar essa posicão, essa convicção de que não sabemos, e que não consiguiremos transmitir, de não se fazer ententer por completo, as palavras dizem muitas coisas, mas não dizem tudo, numca co siguiremos dizer tudo. É preciso criar, bordas, novas estratégias para melhorar a comunicação. Deste modo, uma vez ao nível das palavras temos mais possibilidades de implicar o outro e oferecer o nosso desejo enquanto possibilidades e incompossibilidades

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